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te amo,
amor maluco.
que isto não te faça
a menor diferença...
... para mim é tudo!
a minha poesia é meio assim
meio mutante
meio transmutante
e quando muda
me assusta
e me encanta.
O brasil deve ser o único lugar do mundo
Onde maconheiro discrimina um farinheiro
Tabagista discrimina alcoolista
Puta amadora discrimina puta profissional
Assassino discrimina estuprador
(ou um estuprador discrimina outro)
Quem chupa discrimina quem dá
Quem fode em pé discrimina quem fode deitado
Quem não trepa discrimina quem goza
Homossexual ativo (hétero?) discrimina homossexual passivo
Quem ora discrimina quem reza (santa ignorância!)
Um faminto ri da fome do outro
Analfabeto discrimina professor
Catedrático zomba de iletrado (cinismo puro)
Absurdos condenam hediondos
E tem carnaval, procissão, futebol e novelas
Programas de alta gastronomia para subnutridos
"Quem quer ser um milionário"
No ajuntamento (ajumentamento) dos miseráveis?!
Aqui só não se cuida do próprio umbigo
Ou melhor, do próprio cu!
O meu encontro com a solidão
Tem data e hora cunhados:
02/02/1990, entre 23:30 e 00:00,
Quando Erie e eu nos olhamos em despedida.
Naquele instante fitei o infinito clamando pelo finito,
Em vão!
Nos vimos outras vezes.
Mas já não éramos nossos:
Havia um mar de tempo, uma maré de espaço
A nos separar.
Sim. Era a solidão.
Essa que alguns denominam 'mal do século'.
Não era mais a boa companheira da infância,
A que traz amigos imaginários
E as venturosas aventuras
Em Universos inimagináveis
Ao toque da imaginação.
Não!
Era aquela companheira de quem não tem mais ninguém
E precisa aprender
A chorar, sofrer, esperar...
Em vão!
Como poeta,
Considero discussões acadêmicas LINDAS!
Quando são sérias,
Acabam retornando a um ponto
Que um sábio, analfabeto ou Phd.,
Resume de forma bem simples, direta, prática.
Os intelectuais da elite têm tempo
Para digressões verborrágicas, e até poéticas;
Nós, que estamos com fome hoje,
Mesmo os poetas,
Precisamos ir direto ao prato.
O saber é tudo.
O feijão tem ferro.
Tem gente com fome.
Sabes de que é a tua fome?
Esperar que os mortos façam o que os vivos não fazem...
Não reverenciar nem fundir-se
Mas despertar o divino em si.
Há seres humanos
Que são tão imprevisíveis individualmente
E tão previsíveis em rebanho
Quanto os animais ditos irracionais:
Há cegos que não admitem o que veem.
Nós viemos do barro!
Não do barro da fábula,
Mas da rua sem pavimentação,
Da moradia precária,
Sem escolas, sem hospitais,
Sem áreas de lazer e cultura;
Da lama da falta de investimentos,
Do limo da cidadania,
Do limbo da dignidade humana.
Eu até tenho feito mágica.
Mas, a mágica, no mundo real,
Não passa de ilusão
E a ilusão, no barro, pode ser mortal.
Sou a favor
Da liberação de tudo:
Do sexo
Das drogas
Das escolas
Do feijão com arroz
Da retomada de bens e propriedades
Do direito de existir
Do direito de ter direitos...
Agora,
Do resto eu sou contra;
Não suporto resto!
(pé direito)
Como poeta,
Não colaria num evento
Com cachê pago
(Mesmo pão com ovo e corote -
Meu mais alto suborno)
Nem fodendo,
Não sem antes tentar
Roubar, matar e prostituir.
Agora,
Ultimamente,
Tenho dado preferência
Aos eventos que dão comida
(Se tiver goró, então...).
A coisa mais intrigante
Da arte
É a tara dos poetas por álcool,
Sua obsessão por pão.
(pé esquerdo)
Numa sociedade do espetáculo,
Um poeta
Nunca deve perder
Nenhuma oportunidade
De ficar calado.
Sem dinheiro eu rio mais
Rio de fome
Rio de desespero
Não tenho dinheiro pro busão
Pro circo, Pro prostíbulo
Não tenho um centavo
Nem pra entrar numa briga
Nem pra me chamarem de feio
Venha sorrindo
Que eu estou rangendo os dentes
Sem tempo para fábulas nem brincadeiras!
Vivemos uma época
Que reage
Violentamente
A tudo,
Menos à violência.
tentando matar o tempo
fui aprisionado pelo tédio
e a razão da vida
me escorreu
por entre os dedos
entre o polegar e o médio.
o brasil não é um país
é um ajumentamento
um ajuntamento de jumentos
e que me perdoem os asininos.
passei oito anos sem beber;
sóbrio não!
uma vez poeta
nunca mais sobriedade.
Só sei que ninguém sabe.
... Mas eu sei.
- "É a bíblia?"
- Não. Poemas.
Estou mais para poeta
Do que para divindade.
Toda primavera, a frenética corrida até à rosa
Os olhos não veem a vertigem da distância à qual se lança
O corpo inteiro palpita numa douda nova dança
E o coração esperançoso planta o verso, rega a prosa
Os poetas escrevem
Quando acabam
O dinheiro e a bebida.
Depois,
Se embriagam
De poesias e desertos.
O que nos leva a condenar o Amor
É saber que,
Como deuses,
A existência nos priva
Deste belo, louco e simples
Prazer dos mortais.
A Eternidade é desgraçadamente
Uma solidão tão férrea
Que, se eu pudesse
Conceder a Felicidade a alguém,
Empregaria nisto todos os meus Poderes...
... Ou se eu fosse um pouquinho mais Sublime,
Ou simplesmente mais Jovem,
E a eternidade não me houvesse roubado a Coragem,
Cometeria Suicídio,
Umas três vezes.
Um livro de poesias
É sempre a melhor companhia dos porres.
Leio um antes
Recito um durante
Escrevo um depois.
Também existem
A solidão
A música
E a água.
A nada disto recomendo moderação.
Abri todas as portas;
Não queria mais esperar.
Qualquer novo amor que chegar
Deve entrar;
Me encontrará lá dentro,
Desarmado...
Se eu tiver saído,
Devo voltar logo,
Incauto,
E de peito aberto.
Como tem infelizes nas praças!
Mais do que nos shopping`s!
Estariam os felizardos em prisão domiciliar,
Ou já teriam rendido espírito
E se riem de nosoutros,
Os insepultos?
Os infelizes, sempre solitários,
Ocupam os centros das cidades,
Parados, sentados, olhos distantes...
Os felizes, se vão aos centros,
Estão sempre andando, apressados,
E cruzam os outros,
Como estátuas vivas...
Não se veem, não se tocam,
Se evitam até no sentir,
Negando que são zumbis
Numa sociedade de mortos-vivos:
- "Não somos como eles!"
- "Não somos como somos!" -
Mentem a si mesmos
O que suas sombras
Insistem em revelar.
Deixar o amor morrer
De braços abertos e mãos estendidas,
Sem que ninguém se importe...
Eu ainda aguento,
Só não sei por quanto tempo.
para ver de longe
:binóculos
Para ver de perto
:tato
:olfato
:paladar
o olho para beijar
o suor para fundir
a boca para engolir
beijos
línguas
palavras
ah, deixa a alma
gozar o corpo
e a carne
degustar as sensações
todas as vibrações
pouco antes do desmaio
Sejamos
realistas
e tentemos
o impossível!