Pierrot

Pierrot
la tristesse

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Temência/Demência



Nenhum covarde salta ao abismo sozinho.
Sempre tenta arrastar consigo
Tantos quantos pode,
Ou empurrá-los em seu lugar.

Segundo quem manda, obediência é tudo.

Os ricos não temem a deus
Nem à sua “justiça divina”.
Eles temem a mim,
Temem que eu acorde
E reúna os outros,
Temem a minha noção
De direitos em luta contra seus privilégios.
Eu já estou entrincheirado;
Faltam os outros.

Fúria de um Tempo



Anti-herói é a realidade ante o herói idealizado.

Os fracos pedem licença.
Os derrotados dão conselhos.
Onde estão os fortes?
O que fazem os vencedores?

A vida é uma carga pesada.
Se fosse sensata,
A maioria optaria
Pelo suicídio ou pela infertilidade...

Ou por buscar um sentido
De profundidade
Para fugir à mediocridade
A que os demais parecem condenados,
E, para redimi-los, somente a automorte,
Se fossem dignos de tal ato.

Permitir-se



As crianças, os loucos e os poetas
- as três condições mais sublimes do humano,
Respectivamente –
São livres
Porque não têm vergonha
De dizer o que sentem,
De sentir o que são;
Não temem as consequências
De pensar o que dizem,
De dizer o que pensam;
Não receiam a morte,
Por isso vivem
E espalham vida
Em cada riso, cada canto,
Cada pranto,
A cada bater de suas asas
Oníricas, satíricas (saci) e Pombagíricas
Materializadas no 

PERMITIR-SE.

Poesia em tempos de repressão



Grafite e Pixo
São a arte tirando dos muros
O cinza
A friez militariorrorizante
A mudez
A omissão diante do sangue espirrado
A poesia escrita no muro
Faz dele espelho de luta
Cai de cima dele
Ele não é neutro
Tranca uns por dentro
Liberta os que o enfrentam
Os que vêm a ele
Sem se permitir espremer
O muro é escudo para os que o usam
Como lousa, tela, livro, livre
Não como lápide.

Olhai os lírios do campo



Olhai os lírios do campo,

As aves, as plantas, os rios,

Os mares, os astros no espaço imenso:

Eles não tecem nem fiam,

Não vivem de cultos nem preconceitos;

Chegaram antes de nós

E permanecerão enquanto perecemos

Ante os males

De nossas fantasias escravizadoras e assassinas.

Parábola




Como poeta,
Também eu me refugio na fantasia.
No entanto, até este meu devaneio
Cumpre um papel social.
Defendo que todos tenham fantasias,
Cada um tenha a que melhor lhe aprouver,
Sem matar a do outro
E sem matar a realidade.
Fiz isto na infância
- minha fase mais sábia, madura e criativa –
O horrível foi ver
A massificação impositiva disto,
Uns matando a fantasia de outros
E negando a realidade,
Apunhalando quem tentava
Entendê-la, suportá-la e mudá-la.

METABOATOS




A Bíblia hebraica é uma narrativa pífia

- Quer pelo grande de número de autores,

Quer pela descontinuidade de tempo –

Cheia de contradições e personagens patéticas.

Salva-se apenas um: Lúcifer.

Amante do Conhecimento e do Prazer;

Do Corpo e da Natureza;

Adepto e praticante da Magia e das Ciências;

Sem preconceitos de gênero, nacionalidade, etnia...

Credo, então... credo!

Dizem que é o mestre da magia negra;

Eu, por ser médium,

Sou condenado da mesma forma.

Somos ávidos por todos os tipos de Conhecimento

E por Prazeres – todas as formas de Prazer –

E reconhecemos o Inferno onde estamos,

Onde enfrentamos a estupidez e a mediocridade humanas,

Há quase uma Eternidade.


Sinto-me honrado quando comparado a Ele.