Pierrot

Pierrot
la tristesse

sábado, 30 de agosto de 2014

Hulk Cinza


A tensão
Me deixa insociável.
Eu sou uma espécie
De doutor Banner
Que caminha à noite, 
Um tipo de Hulk Cinza.
As constantes
Dores de cabeça e irritabilidade
Parecem denotar
Que o meu demônio interior
Está prestes 
A assumir o controle total
Do meu eu, 
Definitivamente!


Ao Tempo e ao Vento


Quando o meu amor voltar,
Eu arrumo a casa.
Por enquanto,
Deixemos assim:
Todas as portas escancaradas
Para qualquer
Outro novo amor.

domingo, 10 de agosto de 2014

Como o amor é!

foi quando a dor
doeu mais forte.

Eu sou apenas uma criança.
Nunca deixei de ser.
Acreditei no amor sempre que foi necessário
E fui inocente até me arrancarem o coração:
Eram castelos falsos, brinquedos de trapaças:
Eu não acredito mais!
Posso compreender como os homens fazem guerras,
Destroem, assassinam...
O amor fere calado, vai embora no mais frágil vento...
E o coração que se arrebente!
A face do espelho que reflete a passionalidade
Inescrupulosa na qual se desenvolve um suicídio:
Um inferno em silêncio.
É banal!
Afinal é só um toque de lábios,
Olhares vagos, palavras vãs
E as sombras engolindo nossas almas...
E quando trilhamos os caminhos das estrelas
Nos precipitamos num mar de angústias
E cada onda arrasta o sonho mais longe...
Eu desisto!
É só um jogo bobo onde todos perdem.
Você joga muito bem!
Eu sou apenas um palhaço
Que conta piadas desesperadas
Para te arrancar um sorriso nos momentos mais difíceis.
Para mim, o amor tem a graça 
De uma boa piada mal contada
E as lágrimas resumem tudo!

A Mulher Invisível


Eu fecho os meus olhos
E fico imaginando o seu rosto
Até sumir da minha mente.
Os meus olhos 
Já não conseguem ver o caminho
Pelo qual ela partiu.
Somente no vento:
Ela é um amor
Que vai embora apenas no vento.

São tantas as possibilidades,
Lágrimas que secarão.
O meu coração cantará
Embalado pelo seu amor novamente.
Somente no vento:
Ela é um amor
Que volta apenas no vento.

São pecados de amor
Todos os desejos que despertamos e abandonamos.
Nosso perdão seria vivê-los intensamente
E nunca apressarmos o fim.
Somente no vento;
Ela é um amor
Que dura apenas no vento.

Lembro dos olhos e daquela tarde.
Depois tudo é noite,
Está escuro na minha mente,
Mas essas memórias jamais se apagarão.
Somente no vento:
Ela é uma amor
Cuja saudade mata-se apenas no vento.

Eu tenho um sonho.
O meu coração não consegue vê-la.
Gostaria de tocá-la.
Ela vai e vem das paixões
Com a alma intacta.
Somente no vento:
Ela é um amor
Que realiza-se apenas no vento.
Somente no vento: 
Ela é um amor
Que materializa-se apenas no vento.

São corações jogados ao ar.
Não posso alcançá-la,
Não há vestígios, nem um rosto fixo.
Talvez ela exista apenas no vento:
Somente no vento.


Um mandamento contra Narciso


Amou tanto quanto foi amado.
Ninguém suportaria tanto.
Sei que chegou aos pés do Guardião Supremo
Rastejando como um verme, ensanguentado e soluçando.
Via-se que sombra intransponível havia consumido
A luz do seu olhar: estava morto!
Estava entregando-se para o julgamento.
- "Que lei transgrediste na terra ou no inferno
Para refugiar-te aqui?
Onde está Aquela que apareceu-te ao entardecer?
Maldito que és, como esperas alcançar o Panteão
Se feriste o mais sublime dos mandamentos impostos?"
Ele apenas argumentou:
- "Amei E carreguei um punhal no peito,
A humilhação perante os mortais,
Uma dor que nenhum de Vós conheceis.
Quando larguei a espada
E me ajoelhei diante Dela;
Quantas vezes deixei-me num canto escuro,
Sozinho e lacrimejante!
E tantas outras vezes passei por cima de mim
Sem sentir pena alguma...
Até que não pude mais!..."

(Existem momentos e lugares nos quais
Não se usa o coração.
e, até mesmo para quem nunca o usou,
Pode parecer cruel demais,
Talvez, por não entender, ao certo, 
Porquê estava sendo condenado.)


Sádicos


O meu sonho ruborizou.
Às vezes, nem durmo mais.
Às vezes, a minha solidão tem cores vivas
E vejo algo escarlate ao amanhecer:
É o medo de amar.
Ela lança palavras que ferem como espadas,
Eu contra-ataco com desprezo:  
É tanta dor!
Mas, no final quero estar ao seu lado,
Mesmo sabendo que não posso mais.
O amor e o ódio duelam com nossos corações.
Seria melhor cortar as amarras...
Dei-lhe um soco.
Ela caiu de quatro. 
Chutei-lhe o traseiro, 
Levantei-a pelos cabelos, 
Pressionando-a fortemente contra a parede,
Beijei seus lábios trêmulos
Sujando-me num fio de sangue vivo.
Ela correspondeu com igual ímpeto:
Apertou seu corpo dolorido contra o meu
E disse-me chorando e soluçando:
- "Eu te amo odiando!"
- Eu a odeio amando!

Mais que um sonhador


Eu cantava uma canção regada a sax
e te cercava de galanteios
Para flutuarmos nas nuvens
Num lugar chamado paraíso...
Mas acordei e você já não estava lá...
Nos sonhos eu posso te tocar... beijar...
À vezes, parece realidade, 
Porém, tudo passa numa noite.
Agora preciso ir:
Nos encontramos no próximo sonho
E lá fazemos promessas,
Até que o despertador nos separe.
Um sonho é tudo que tenho
E tudo passa numa noite.
'São coisas que conheço bem,
Só não sei como vou dizer.
É que às vezes falta algo de você pra mim,
Já que dou tudo de mim pra você.'
E entro na noite
Esperando que você me apareça,
fazendo a máquina suspirar e adormecer
Para nunca mais funcionar...
Então, eu te farei como num sonho
O amor que sonho todas as noites:
O amor é sonho
Que se realiza ao despertar.

O contador de histórias


Estávamos realmente próximos, bem próximos,
Mas não podíamos ir além,
Por que um dia fomos o amor
E criamos entre nós um abismo de trevas e dor.
Eu me refugiei na solidão.
Não me peça para falar de flores
E de momentos felizes - obra dos sonhos -
Se eu cantasse uma canção,
Ela sairia mais triste que um inverno, 
Se eu escrevesse poemas,
Teria um livro de poesias terríveis.
Já não podemos ficar juntos:
O nosso amor é uma espada mortal;
Da outra vez eu sucumbi.
Agora sou apenas o contador de minhas histórias.
É como correr atrás de uma nuvem,
É como olhar o céu após cometer um pecado.
Longe de qualquer coração.
Eu falei sem pensar:
Disse eu te amo, 
Confessando um crime passional
Que eu viria a cometer...
Morrer na flor da idade
Não é tão complicado
Quanto amar uma mulher.
Letra para um segundo blues:
Ela vive nas palavras que crio...
Agora, rasgo e queimo, lanço fora do meu coração:
Eu vou te ensinar a ser gente,
Fazer valer todas as lendas.

o meu último pensamento inocente


"nós não adoramos, nos interagimos com as divindades."
    
     Ney Lopes, sambista.




Eu imagino deus como sendo um senhor
De barbas brancas, tranças longas, 
Sentado à mesa de um bar
Numa manhã de sol
Tocando um pequeno tambor,
Num clip de uma canção como "black roses"
Ou outra dessas canções de amor ao semelhante.
Ele é o dono de um jardim
De flores inocentes
E eu sou o seu aprendiz de jardineiro.
Fica esplendorosamente radiante quando tento,
Todo desastrado,
E tira novos sons do seu tambor, 
Como num repique.
Às vezes, Sorri e faz gestos...
E quando conversamos, dizem que sou louco.
Nós somos loucos, loucos pela glória do amor,
E, se realmente parecemos loucos,
É que somos nós mesmos.
Nestes tempos em que maltratam suas rosas
Eu o vejo indo embora,
Tambor embaixo do braço,
Caminhando lentamente
Como num clip que termina.
Talvez sejamos loucos, loucos pela glória do amor
E, se todos fossem assim
O céu já não pareceria tão distante.


Um Novo Sonhador


Estou vivendo a sedução de outra garota.
Agora, me dê um tempo.
Talvez, para sempre.
Estou chegando perto dela para afastar você.
Só não posso prometer que será para sempre,
Linha dos meus sonhos.
Se for ilusão, logo saberemos.
Ainda não compre flores para o meu túmulo:
Estou saindo para ver o sol.
Eu não cansei de acreditar;
Nem todo amor faz chorar;
Toda saudade quer fugir de você;
Nem todo amor é um jogo:
Eu já retirei meu coração de campo.
Ela é a sensação de outra primavera, 
Canções de pássaros no ar, 
Flores vivas ao redor.
Aposte suas cartas,
Todas estão desmascaradas:
Você me perdeu!
Ela me levará para longe
E deixará uma eternidade entre nós.
Estou vivendo a sedução de uma menina real
Que prometeu afastar você.
Ela é a sensação d outra primavera;
Estou saindo para ver o sol.
Talvez para sempre,
Linha dos meus sonhos.

Outra Maria


Mamãe, passe a mão sobre a minha cabeça,
Penteie o meu cabelo
Tente me fazer adormecer.
Nada mais deve ser dito.
Ela era a porta-estandarte desses sonhadores,
Mãe dos nossos corações.
Quem preencherá a sua falta?
Quem contará os meus passos
Quando eu não mais sentir os meus pés?
Deus a quer para ele?
E quem encherá a casa de inocência?
Quem me dirá o que fazer
Quando a razão perder o rumo das palavras?
Virá um anjo?
Um espírito de luz?
Outra Maria?
E eu, mamãe, o que farei?
Agora, me conte uma estória confortável.
Deixe o pranto escorrer como um rio
Até formar um oceano de luz
no coração do Divino,
E que esta dor nos seja eterna.
Ela não viu a aurora da luta.
A ela coube a angústia da batalha diária
E a morte - fruto de uma guerra insana!
Quem nos guiará da próxima vez?
Um anjo?
Um guerreiro do Divino?
Outra Maria?
Mamãe, esta noite
A morte entrou na minha casa
e arrancou dos meus braços
A minha irmã!
Passe a mão sobre a minha cabeça
E deixe-me chorar.

domingo, 3 de agosto de 2014

Dizem que sou o Amor


Hoje me deu uma nova mania,
Algo realmente louco:
Não é como beber as águas do mar
Com todos os seus encantos,
As pedras, os contos, 
A areia e o ar,
Não. Isso é pouco!

É outra mania:
Como se nunca houvesse sentido:
Não é como ter a cara que eu tinha
Ou encher novamente a casa de alegria,
Não: isso é conhecido.

Talvez seja como caminhar para o mar
Sem ser rio
Ou deixar tudo de mim aflorar
E não ficar vazio.

Não: é outra estranha mania,
Algo que nunca senti por ninguém:
É como um riso de criança, incessante,
É o mesmo que viver como amante,
Sim: é como se eu tivesse alguém!

Hoje me deu uma nova mania
E eu quero amar de novo:
é como um telefonema numa tarde vazia,
Realidade para qualquer fantasia,
Sim: amar e chegar ao céu de novo!

É como chegar aos céus 
Sem ser santo
E trazer tudo de deus
Como num encanto...

http://palcomp3.com/odoricocarvalho/mania/

Deuses ou Meninos


Eu, quando choro,
Faço transbordar mares imaginários
E as lágrimas não cobrem os meus pés;
Ele, quando chora,
Manda um dilúvio
Anunciar a sua tristeza
E afoga qualquer dor.
Eu, quando me dói,
Grito e faço acordar a vizinhança;
Conto mágoas em alto tom,
Histérico, até não ter mais voz;
Ele, quando lhe dói,
Manda trovões e raios,
Rasgando tempo e espaço,
Desde o teto dos Céus 
Até ao chão da mediocridade. 
Eu, quando revolto,
Faço poesias e guerras,
Atirando em todas as direções
As pedras que trago nas mãos;
Ele, quando revolto,
Agita os elementos naturais:
Mares e ventos e fogos e bíblias,
Engolindo e varrendo, 
Consumindo cidades e pensamentos, 
Trazendo à tona toda a miséria humana.
Eu, quando amo,
Já não posso mais nada;
Ele usa todo o seu poder para perdoar.

THE END


Eu quis o final feliz 
E me perdi.

(corta!)

Vi você roubar cada cena.
Todas as luzes no seu representar.
Uma estrela ilusória
Sob um céu de verdade.
Cada tomada daria um clip
Do início de uma história de amor
Da qual você traiu o enredo:
Nenhum ator encontrou seu papel.

(corta!)

Corta qualquer coração!
Agora, desce desse céu
De nuvens de fumaça artificial
Para receber o Oscar
Partido ao meio,
Faça seu próprio terror
E seja a protagonista.
Eu sou apenas um diretor
Que perdeu o roteiro do final feliz.

(corta!)

A canção sangrando


É uma faca afiada pela maldade.
Falo de corações despedaçados,
De todos os prantos que tentei conter
Para ver cair sobre mim
Uma tempestade de lágrimas,
A dor da traição.
É uma droga, um vício:
Ele dá lápis e papel,
Depois arranca toda fonte de inspiração.
Já perdi todas as ilusões
E os soluços provocados pelo desprezo
Não mais me deixarão cantar.
Então, pare a música.
O guitarrista está ferido!
Quem continuará o show?
Quem espantará a solidão com um solo?
Quem os convencerá de que o pranto não é o fim?
O que me diz, John?
Você espalhou ao mundo que acredita.
Agora todos pensam que somos homens de aço
E que este sentimento pode tudo.
Quem dará ouvidos aos nossos lamentos?
Precisamos compor uma canção
Falando sobre este tipo de assassinato.
O amor foi censurado para inocentes;
Acho melhor desligar o rádio.

Óculos




O que houve com os seus olhos?
Eu poderia jurar que foi naquele dia
Que você lançou-os a me apaixonar:
Eles irradiaram tanta luz, tanto brilho;
Todo brilho do sol, um poder de laser,
Um poder de raio-x, todo poder da luz;
A força de um amor biônico,
Um feitiço absurdo:
Uma magia que torna castanho
Toda cor que o universo possa reluzir.
Depois daquele show de luminosidade
Eles perderam um pouco de vida,
Já não conseguem ver
Um coração pulsando tão perto,
Não falam ao coração.
Eu ficava paralisado na sua frente
Implorando um pouco de atenção
E você me dava apenas o seu olhar
E palavras com dois sentidos,
O suficiente para compor o meu drama.
Antes, os seus olhos eram uma música
Enquanto nos hipnotizávamos.
Agora, há dor e silêncio,
Eu vejo tudo em preto e branco...
Se não estamos cegos
Nem conseguimos ver os apelos dos nossos corações,
O que houve com os nossos olhos?

No coração do homem só


Eu confesso amor.
E foi um crime hediondo.
A timidez,
O desejo voraz, pecaminoso,
A dissimulação do sentimento,
A covardia de não declarar,
O ciúme,
A indiferença fingida,
O egoísmo de amar sozinho,
O assassinato:
Eu matei o amor ainda na potencialidade
E disse aos quatro ventos
Que ela era minha.
Só não disse a ela
E o amor morreu embrionário,
Latente,
Sem sair de mim.

marcha sem fim


eu estou cansado
talvez seja a idade
o peso das eras
as surras da vida
as bombas 
as pedras nas mãos
as febres 
as ideias absurdas
o fato é que o corpo parou
a mente turvou
o espírito vacilou
pensei duas vezes
considerei andar em círculo
quero ficar mais tempo comigo 
e com alguém
que me ajude a ver
alguma perspectiva.