Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 10 de agosto de 2014

Outra Maria


Mamãe, passe a mão sobre a minha cabeça,
Penteie o meu cabelo
Tente me fazer adormecer.
Nada mais deve ser dito.
Ela era a porta-estandarte desses sonhadores,
Mãe dos nossos corações.
Quem preencherá a sua falta?
Quem contará os meus passos
Quando eu não mais sentir os meus pés?
Deus a quer para ele?
E quem encherá a casa de inocência?
Quem me dirá o que fazer
Quando a razão perder o rumo das palavras?
Virá um anjo?
Um espírito de luz?
Outra Maria?
E eu, mamãe, o que farei?
Agora, me conte uma estória confortável.
Deixe o pranto escorrer como um rio
Até formar um oceano de luz
no coração do Divino,
E que esta dor nos seja eterna.
Ela não viu a aurora da luta.
A ela coube a angústia da batalha diária
E a morte - fruto de uma guerra insana!
Quem nos guiará da próxima vez?
Um anjo?
Um guerreiro do Divino?
Outra Maria?
Mamãe, esta noite
A morte entrou na minha casa
e arrancou dos meus braços
A minha irmã!
Passe a mão sobre a minha cabeça
E deixe-me chorar.

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