domingo, 3 de agosto de 2014
Deuses ou Meninos
Eu, quando choro,
Faço transbordar mares imaginários
E as lágrimas não cobrem os meus pés;
Ele, quando chora,
Manda um dilúvio
Anunciar a sua tristeza
E afoga qualquer dor.
Eu, quando me dói,
Grito e faço acordar a vizinhança;
Conto mágoas em alto tom,
Histérico, até não ter mais voz;
Ele, quando lhe dói,
Manda trovões e raios,
Rasgando tempo e espaço,
Desde o teto dos Céus
Até ao chão da mediocridade.
Eu, quando revolto,
Faço poesias e guerras,
Atirando em todas as direções
As pedras que trago nas mãos;
Ele, quando revolto,
Agita os elementos naturais:
Mares e ventos e fogos e bíblias,
Engolindo e varrendo,
Consumindo cidades e pensamentos,
Trazendo à tona toda a miséria humana.
Eu, quando amo,
Já não posso mais nada;
Ele usa todo o seu poder para perdoar.
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