domingo, 10 de agosto de 2014
Um mandamento contra Narciso
Amou tanto quanto foi amado.
Ninguém suportaria tanto.
Sei que chegou aos pés do Guardião Supremo
Rastejando como um verme, ensanguentado e soluçando.
Via-se que sombra intransponível havia consumido
A luz do seu olhar: estava morto!
Estava entregando-se para o julgamento.
- "Que lei transgrediste na terra ou no inferno
Para refugiar-te aqui?
Onde está Aquela que apareceu-te ao entardecer?
Maldito que és, como esperas alcançar o Panteão
Se feriste o mais sublime dos mandamentos impostos?"
Ele apenas argumentou:
- "Amei E carreguei um punhal no peito,
A humilhação perante os mortais,
Uma dor que nenhum de Vós conheceis.
Quando larguei a espada
E me ajoelhei diante Dela;
Quantas vezes deixei-me num canto escuro,
Sozinho e lacrimejante!
E tantas outras vezes passei por cima de mim
Sem sentir pena alguma...
Até que não pude mais!..."
(Existem momentos e lugares nos quais
Não se usa o coração.
e, até mesmo para quem nunca o usou,
Pode parecer cruel demais,
Talvez, por não entender, ao certo,
Porquê estava sendo condenado.)
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