Quando eu era jovem Era como um cavalo forte: Levava o mundo Aos coices e relinchos. Hoje me pergunto para onde vou. Não tenho mais a força dos coices E os relinchos Não me trouxeram sabedoria. Meu espelho empoeirado Reflete a desolação que sou: Em algum lugar do passado Deixei um pedaço de mim Que não quis mais me acompanhar.
"o dollar não é real." Tom Zé Eu vendi tudo que tinha Para saber E soube Que tudo que sabia Estava vendido, E eu vencido, Já não cabia No meu esconderijo.
Polivitamínicos Barbitúricos Antidepressivos Um corpo nu estendido na cama Beber água Leituras Exercícios ao ar livre Preciso me livrar de todas estas drogas E cometer suicídio.
há muito tempo não acontece nada e eu espero como água parada. há tempos eu fico revendo estórias banais sem partir os dias passam iguais. ela nunca chegou cedo eu ficava contando as horas e antes de sentir medo já estava indo embora.
Pelas mais belas estrofes melodiosas Qual borbulhas de peixe canoro vindas Dos mais longínquos abismos do oceano, Trazendo à tona a estentorosa voz Do jovem marujo, Náufrago que encerras em ti, Ó Abissal do Atlântico, Dá queixa a Viuvinha que vela, E pranteia, Aumentando as tuas profundezas: "frágil, tão frágil, pálido amor, Que mal caiu no mar E já se afogou. Deixa eu cantar minha nova canção, amor, Para mais solidamente restaurar O mundo que sem nós desmoronou."
Eu não vou me desculpar; Eu disse o que disse Porque amar sozinho é o fim! Você não precisava suportar tanto Mas, quando rastejei humilhado Implorando perdão Devia ter reconsiderado. Eu sei o que fiz você sofrer E só entendi o meu erro Ao reconhecer a nobreza dos gestos Feitos em nome desta amizade. Não volte se ainda estiver magoada; Por enquanto é definitivo!
É força "divinal" O meu corpo em febre Ardente em brasa Ao contacto da tua pele. Num segundo só Antes que fosse embora Eu dizendo as palavras mágicas: Fica, todo tempo de amar é agora. Neste ponto da eternidade O fogo do meu corpo no teu corpo Passado pelo caminho da alma - gêmea - Passando de um para o outro.
Nenhum de nós foi embora Porque o desejo não quis Ficou em nós, trêmulo, em "oração" Torcendo por fazer(se) feliz. Não se faz voltar atrás O que não é partir Todas as estradas dão em nós Nossos caminhos nos trazem aqui... Em ti acabam os poemas tristes Desfazem-se as páginas que choram Dois corações, agora uma só alma Dentro da esfera dos que se adoram.
Não sei matemática Essa ciência prática. Números não têm graça Nem sempre são exatos Nem sempre reais Nem sempre naturais Números são frios Às vezes, Todos os conjuntos são vazios. Quebrados, meios, inteiros Usados para contar dinheiro Tantos infinitos Num universo finito 1 2 3 Quatro cinco seis E não: "era uma vez..."
Se eu te encontrasse hoje Diria: te perdi E agora? Tudo em mim chora Queria ter você E não soube pedir. Se eu te encontrasse hoje Diria: estou sofrendo Você vê? Tudo de ti é viver Eu vivo por te amar E me sinto morrendo. Se eu te encontrasse hoje Diria: eu mudei Não acredita? Tudo que a minha alma necessita Está em você E só agora eu sei. Se eu te encontrasse neste momento As únicas coisas que conseguiria dizer Seriam: eu ainda amo você E me embargaria o pensamento.
Se todos os eventos têm um espírito, A Guerra é o mais forte E já englobou também a escravidão, A política, os desastres naturais, Porque a humanidade amou-a Mais do que desprezou a paz E mais do que amou aos vis-metais.
O sentimento leva à ação E a ação é incompreensível O sentimento não. {e o coração nada sente ele é apenas porta-voz da alma e da mente} Toda má paixão (nem todas as paixões são más) Nasce em detrimento da razão. {e o coração nada diz ele bate ou para eu sou feliz ou infeliz} Eu sempre comprei as minhas amizades Se eu podia pagar tudo Quem se importaria com lealdade? {e o coração nada faz eu erro por nós dois e o culpo por não ter paz} Deixo aos mortos chorarem seus mortos E vou buscar o que é meu Ainda que por caminhos tortos. {e o coração segue os caminhos meus sem conseguir entender que erros ele cometeu}
Minha eternidade São alguns segundos Olhando-te nos olhos. Diga-me que impossíveis Terei que vencer Para chegar Até à escultura corporal Da forma que habitas E prestar culto À beleza e à virtude.
Trabalhar de segunda a sábado ônibus lotado trem deteriorado marmita fria trânsito violento vizinho chato muita treta tarde de sábado, futebol de noite, televisão, cachaça no domingo a morte, à bala ou faca no bar
Solitude... não devia remexer na memória mas a solidão aquela música o cheiro dela a pele eu devia esquecer. A solidão e a memória são anjos de pedra no cemitério de um coração triste: não lembram e não deixam esquecer.
- o que você tem? - eu não sei! - está angustiado? - eu não sei! - está apaixonado? - eu não sei! - e quem saberia? - eu não sei! Se soubesse, eu mesmo perguntaria.
Ontem, Se soubesse dançar, Teria largado o braço Do camarada E rodopiado com ela No meio da rua mesmo... E talvez, Ter flores no quintal Me fizesse sentido. Hoje as flores murcharam.