A ignorância
Consiste na presunção
De pensar saber
Ante a sensatez
De saber pensar.
poesia marginal
O cérebro de muitas,
muitas, muitas pessoas
é como uma delicada,
quase imperceptível,
poeira;
a mídia
é uma potentíssima máquina de lavar
e seus analistas são detergente,
alvejante e amaciante
(três em um, mil e uma utilidades):
LAVOU, NÃO SOBRA NADA!
Na infância,
as fábulas,
os amigos imaginários,
os bichos-papões
e os monstros do armário;
na vida adulta,
os políticos,
as religiões,
a televisão,
a esperança num engano que se repete,
mas continua seduzindo,
sempre e sempre.
Ah, Bakunin, quem se importa?...
Acumulação infinita de riqueza
X
Acumulação infinita de miséria.
No capitalismo,
utopia e distopia
se confundem e se invertem.
O Estado não é laico.
O Estado é sactário
Da seita dos ricos
Em seu fanático culto
Ao deus-mercado.
O poeta não sabe amar.
Mas cria as formas
Mais extraordinárias
De declara-lo,
Pedir e conceder perdão.
A mística mítica
Do coração
É a materialização
Da alma humana:
Um músculo que alimenta
O corpo inteiro,
Inclusive o cérebro
- A máquina que o comanda,
Assim como o proletariado
Que alimenta a plutocracia
Que o oprime.
Não uso gírias nem roupas da moda,
Pois, desde criança,
Nunca busquei me encaixar, pertencer...
Na verdade,
Além de preto, é claro,
Eu, como o Chaves Chesperito,
Andava maltrapilho, sujo,
Sempre com fome e sem acesso
A muitas coisas básicas.
Então, procurava não chamar atenção
Para poder divagar sobre a realidade,
Trazer a realidade para o meu mundo fantástico:
A realidade pura e simples
Me doía o estômago.
(Adagio)
Verdade é que colhemos
o que plantamos.
E mais:
aramos,
semeamos,
capinamos,
pulverizamos,
colhemos,
beneficiamos,
transportamos,
vendemos
e entregamos;
Só não comemos!
Dentro da roupa chic
Do carro de luxo
Da mansão exuberante
Do status de divindade
Há só um como eu
Que talvez tenha desistido
De procurar por si mesmo.
A lenda urbana Reza
Que ninguém me doma.
Ninguém quer acreditar
Que qualquer criança me enlaça.
Todos acham que quando choro
É apenas o palhaço
Brincando de tropeçar.
De fato,
Os poetas mentem sobre amor.
Se soubessem amar,
Não desdenhariam tanto,
Não seriam poetas.
Socorro, Lanza!
Acode cá, Carlitos!
Às vezes,
Piso Às pontas
De minhas próprias asas.
É preciso ter paciência
Com os anjos,
Também.