Sê
Bem-vinda
Guerra;
Lança
Armas
Novas!
poesia marginal
Acumulação infinita de riqueza
X
Acumulação infinita de miséria.
No capitalismo,
utopia e distopia
se confundem e se invertem.
O Estado não é laico.
O Estado é sactário
Da seita dos ricos
Em seu fanático culto
Ao deus-mercado.
O poeta não sabe amar.
Mas cria as formas
Mais extraordinárias
De declara-lo,
Pedir e conceder perdão.
A mística mítica
Do coração
É a materialização
Da alma humana:
Um músculo que alimenta
O corpo inteiro,
Inclusive o cérebro
- A máquina que o comanda,
Assim como o proletariado
Que alimenta a plutocracia
Que o oprime.
Não uso gírias nem roupas da moda,
Pois, desde criança,
Nunca busquei me encaixar, pertencer...
Na verdade,
Além de preto, é claro,
Eu, como o Chaves Chesperito,
Andava maltrapilho, sujo,
Sempre com fome e sem acesso
A muitas coisas básicas.
Então, procurava não chamar atenção
Para poder divagar sobre a realidade,
Trazer a realidade para o meu mundo fantástico:
A realidade pura e simples
Me doía o estômago.
(Adagio)
Verdade é que colhemos
o que plantamos.
E mais:
aramos,
semeamos,
capinamos,
pulverizamos,
colhemos,
beneficiamos,
transportamos,
vendemos
e entregamos;
Só não comemos!