domingo, 4 de janeiro de 2015
Atlântida
Na periferia,
O crack é a pedra filosofal.
Vara-de-condão é o cassetete.
Pirlim pim plim!
Pow!
Caiu, sumiu,
Crianças mortas!
Pow! Pow!
Caiu, sumiu,
Adolescentes mortos!
Pow! Pow! Pow!
Caiu, sumiu,
Homens mortos!
Pau! Pau! Pau! Pau!
Caiu, sumiu,
Mulheres mortas!
Democracia?
Bummmm!
E agora, Drummond?
Você verá, Drummond,
Quando estiver lá,
Pé ante pé,
Querendo acertar o passo
E eu no seu encalço
A perguntar: para onde?
Eu tentando curar minha fome, Drummond,
E você a me perguntar para onde.
Eu querendo sexo. Sexo!
Você ainda se lembra?
Eu tento não esquecer.
Eu tentando sanar minha fome,
Que não é só instante.
É tanta, tanta que chega a ser eu!
Quando era preciso viver:
Sem teogonia, o medo da morte,
sem ouro nos bolsos...
Eu tento viver, Drummond.
O que você anda fazendo?
Minhas utopias?
Eu vejo homens caminhando vazios.
Um cigarro, um gole, sexo e álcool;
Uma mentira para um domingo de sol.
Você tem visto o sol?
Você sabe para onde está caminhando?
Você vazio, com nome de fama.
E você, Drummond?
O que é este monstro em teu espelho?
Alguém, sequer, veio à tua festa
E o teu nome é lamento carpidor!
Aonde quer que tenha ido
Você encontrou o aplauso,
Nunca a compreensão:
Você encontrou o nada!
Você surdo, falando dos outros,
Dizendo como sou, como penso, sinto;
Você no escuro, trancado, escorado em éter,
Mudo!
Você morto, Drummond!
A quem santificam,
A quem chamam poeta.
Quantos versos fizeste em 1992?
Quais poemas te transformaram em cédula,
Manipulado por mãos ricas,
Almas pobres comprando vidas alheias,
Sem pernas, sem voz, sem valor?
Eu vou marchando, sulcando chão.
Só eu posso instar-me o destino.
E você, drummond,
Marchou? Para onde?
Em que nada se encontra?
E agora?
Assinar:
Postagens (Atom)