Ei, você.
Você mesmx...
Que está lendo este anúncio:
'Doa-se amor.
Puro.
Verdadeiro.
Espera-se nada em troca.
Tenho um estoque ilimitado
E deve haver alguém
No mundo
Precisando de amor.
Procure pelo meu coração.'
poesia marginal
Ei, você.
Você mesmx...
Que está lendo este anúncio:
'Doa-se amor.
Puro.
Verdadeiro.
Espera-se nada em troca.
Tenho um estoque ilimitado
E deve haver alguém
No mundo
Precisando de amor.
Procure pelo meu coração.'
"Ain, você quer viver numa bolha,
Numa zona de conforto?"
Absolutamente!
Gostaria de estar rodeado
De gente como você,
Mas, como não tenho
Uma metralhadora giratória...
Sim!
Eu quero uma bolha,
Uma zona de conforto
E máxima distância
De gente como você;
E foda-se!
Um dia de trabalho
São 24 horas de escravidão.
Não são apenas as 6, 8, 10,
12, 14, 16 horas no eito.
O deslocamento precário,
O intervalo mal alimentado:
Todo o dia se dissolve
Em opressão, dores, frustrações
E cansaços,
Em um não-viver.
O descanso prometido,
O merecido lazer
São falsa propaganda,
Uma cenoura ilusória
À frente de burros famintos.
Se, ao menos, Orco houvesse,
Me dirijiria calma e voluntariamente
Para lá.
Mas, nem isso!
Errante,
Não encontro paz
Nem nas trevas nem na luz.
Eu quero um veneno
Misericordioso,
Não destes que iludem
Ou prolongam a dor;
Um veneno libertador
Como a 'verdade' derradeira,
A mentira vantajosa,
O suicídio.
Quando a dor é insuportável,
Procuramos a saída mais rápida,
Quase mágica,
Como paleativo
Para, só depois,
Buscarmos algo sólido.
Mas, não vamos além,
Estacamos neste engano,
Nos agarramos ao nada,
Mesmo sabendo
Que apenas saltamos
De um abismo a outro.
Quando alguém dança com o diabo,
Eu sou barrado no baile,
Ou ninguém me tira para dançar,
Ou, ainda, pisam no meu pé.
E tenho que limpar o salão
E tenho que pagar a conta.