Pierrot

Pierrot
la tristesse

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Por aí...


Já estive no céu,
Por três minutos de monótono vácuo.
A única coisa boa lá
É a vista das nuvens e da Terra.
Se deuses existissem,
Trocariam suas majestosas mortes
Por nossas pobres vidas incertas.

Já fui ver o mar.
Perto dele sinto-me
Ínfimo, calado, inerte.
Quis fazê-lo tumba,
Mas o barulho e a ondulação
Me disseram que há infinitos mares
E ainda não andei a distância de um sonho.

Também já estive aqui.
Lembra?
Eu não consigo esquecer!
Mas, aqui, sem você
É como não estar,
É como não existir.



Exortação Libertária



Não morrerás!
Não te deixarás abater!
Não abrirás mão de viver
A plenos pulmões,
Ou todas as Iras
Das vítimas do ódio e da opressão
Se arrojarão 
Violenta e Impiedosamente
Sobre ti!

Cena Eleitoreira



A alcateia caça
Em pequenos bandos,
Com estratégias e ardis,
Organizados, unidos,
Sentidos aguçados,
Salivando,
Presas e unhas afiadas:
Mortais!
Os cordeiros...
Bem... são numerosos,
Mas não reagem.
?Por quê?
É "tradição" dos cordeiros
Deitar pacificamente para o sacrifício.





Truco!


O Destino é um grande enxadrista,
Um estrategista de má fé
Que move peças no tabuleiro
Com lances simples, descuidosos,
E ganha, às vezes, sem querer.
Certa partida, talvez sem analisar perspectivas,
Viu-nos, Peão e Cavalo e,
Num lance frio e genial,
Uniu-nos,
E juntos, nos tornamos
Rainha e Rei e Torre:
Uma fortaleza invencível,
Segundo um Bispo em ciúmes.
Hoje, fazemos o Roque Maior
A bel-prazer
E, ainda com o Roque Menor,
Tomamos o Universo por tabuleiro
E o destino é jogo vencido,
Pusemos todos os destinos em xeque...
Mate!

Eureka Eca!



No mais do meu tempo,
Gosto de ser sozinho,
De estar sozinho,
De ficar sozinho,
Absorto, divagando
Ou apenas
Removendo hidrópicos nasais...

terça-feira, 2 de outubro de 2018

Um adeus por dizer


Somos duas crianças
Brincando de amor
Para se machucar.
Eu queria brincar de ser feliz...
Mas ninguém fica para sempre.
Aproveitemos enquanto estamos aqui.
Se o futuro a deus pertence,
Adeus, futuro:
Seremos só lembranças
De uma despedida
Que nos entalou a fala.

Lágrimas num sábado à tarde


Todos sofremos
E, buscando formas
De sanar a dor
Definitivamente,
Apenas conseguimos
Alívio momentâneo
Quando esta se torna
I-N-S-U-P-O-R-T-Á-V-E-L!
Uns refugiam-se em mentiras,
Supérfluos,
Em causar dor maior a outros;
Nós, de almas mais sensíveis,
Recorremos à música,
À poesia,
Às lágrimas,
A amigos,
Almas-gêmeas do nosso sofrer,
Algumas dessas estranhas criaturas
Que nos acalentam
Numa solitária tarde de sábado.

Se os tubarões fossem candidatos


Em tempos de eleições

Somos todos antropófagos;

Mas, há peixinhos que amam tubarões!

Teatro de Horrores


Na farsa eleitoral,
O Drama
Está mais para
Tragédia
Que para 
Comédia:
Uma trama surreal!

IGNORANTES ILUSTRADOS




AO ANALFABETO POLÍTICO

ALFABETIZAÇÃO E LETRAMENTO

SÃO ANTÍDOTOS ENVENENADOS.