Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 10 de agosto de 2014

o meu último pensamento inocente


"nós não adoramos, nos interagimos com as divindades."
    
     Ney Lopes, sambista.




Eu imagino deus como sendo um senhor
De barbas brancas, tranças longas, 
Sentado à mesa de um bar
Numa manhã de sol
Tocando um pequeno tambor,
Num clip de uma canção como "black roses"
Ou outra dessas canções de amor ao semelhante.
Ele é o dono de um jardim
De flores inocentes
E eu sou o seu aprendiz de jardineiro.
Fica esplendorosamente radiante quando tento,
Todo desastrado,
E tira novos sons do seu tambor, 
Como num repique.
Às vezes, Sorri e faz gestos...
E quando conversamos, dizem que sou louco.
Nós somos loucos, loucos pela glória do amor,
E, se realmente parecemos loucos,
É que somos nós mesmos.
Nestes tempos em que maltratam suas rosas
Eu o vejo indo embora,
Tambor embaixo do braço,
Caminhando lentamente
Como num clip que termina.
Talvez sejamos loucos, loucos pela glória do amor
E, se todos fossem assim
O céu já não pareceria tão distante.


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