I - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
O discurso da não-violência
É a principal arma prática
Dos violentos.
II - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Armas são correntes,
Nós corrediços;
Não ponhas teus pulsos
Nem teu pescoço nisso!
III - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Nas redes sociais,
Vence o debate quem profere
A maior ou a última estupidez.
IV - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Apropriar-se não só dos termos,
Mas dos conceitos, aplicações e implicações.
V - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Será que um dia
Os pobres se cansarão de alimentar os ricos?
VI - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
O STF ainda reza missa em latim.
VII - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Os representantes do povo, na democracia,
Ainda habitam suntuosos palácios.
VIII - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Bolsões de miséria são bolsões de violência:
A criação da miséria é violenta.
A manutenção da miséria é violenta.
O massacre da miséria é violento.
A paz na miséria é violenta.
E a tudo a miséria reage violentamente,
Entre pares,
Quando deveria reagir violentamente
Contra a violência
Que a cria,
Que a mantém,
Que a massacra
E a apazigua!
IX - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Soltemos os presos políticos!
Prendamos os políticos de carreira!
X - Enquanto a intelectualidade reclama ócio,
Eu sou um dinossauro
Ansiando por um meteoro.
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