quinta-feira, 17 de janeiro de 2013
ah, estes poetas...
A poesia é um hospício de caras como eu
Que, para fazer um poema
Sofre, sangra e sua.
E Pessoa, louco grita:
- Arre! hei lá!
E Chico Miguel canta:
- arre! irra! urra!
E nem pontua.
Outra alma desordenada
De quem o espelho partiu...
E eu, que nada tenho que ver,
Sou só cacos refletindo eus partidos;
E eu, que era tão uno,
Como testemunharia Abdera:
Íons, eletrons, neutros.
Neutro não!
Indiferente talvez.
É que me perguntam o que não quero responder,
Falam do que não me interessa
E eu afirmo o que não entendo,
E eu nem era espelho p´ra ninguém...
A poesia me enlouqueceu
Porque é livre e tem correntes,
É leve e como chumbo
E é louca,
Louca, comedidamente louca,
E fez uma festa em mim.
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