por Cristiane Gandolfi, poetisa.
Do sertão eu vim.
Não foi da caatinga
Não foi do nordeste
Não foi do centro do Oeste
Foi do mais dentro de mim.
Vim dos agrestes que brotam de minhas minas d`águas
Pleno movimento insurgido de seus baixos.
Vim das rupturas que marcam minhas pegadas,
Vim dos enfrentamentos que insistem construir estradas.
Do sertão vim,
Vim do cabuloso, do nebuloso,
Ornado em faca, couro, chapéu e bala.
Pronto para guerra do bem contra o mal.
Pronto para goethear na madrugada.
Pronto para sertanejar na arena dos deuses que já morreram.
No sertão vi a terra rachada,
No sertão senti o cheiro da fome
No sertão toquei a seca dos olhos da criança quase morta
No sertão andei sobre a carcaça dos animais que clamavam por Água.
Foi lá no sertão que esperei,
Lá no sertão diante de todo niilismo,
De toda falta de fé,
Lá no sertão me reencontrei com meu humano,
Sigo com fé,
Não sei em que ou em quem,
Com fé sigo
No que há por debaixo das estações,
Debaixo dos sóis,
Debaixo da terra queimada no chão.
Fé no sertanejo,
Na força bruta de quem doma a natureza,
Fé na humanidade de quem se acostumou a ver a morte ao seu Lado.
Fé na divindade que nunca se afastou daqueles que mesmo Cansados buscam se levantar.
Do sertão vim,
No sertão nasci,
No sertão morrerei
E lá nunca deixei de ser feliz.
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