Pierrot

Pierrot
la tristesse

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Desaterro



Fiquemos aqui.
Não porque estejamos plantados.
Só não aceitemos este desterro
Que é um desaterro,
Um nos arrancar de onde voamos livres
E somos a própria terra.
Não, não vamos embora.
Sempre quis correr mundo,
Nunca como escorraçado,
Mas como quem come da terra
E não sai sem replantar e regar
Para os que ficam
Viajando em outros sonhos.
Um dia nós vamos embora.
Hoje, ficamos.
Só partimos de onde e quando
Deixamos sonhos possíveis em flor
E regressamos à sega.
Quando nos expulsam, resistimos.
Não é da terra que nos expulsam,
É de nós mesmos;
Não é o que é nosso que querem,
Querem o que somos,
Querem o que sonhamos... e ousamos realizar!
Quando voamos em asas de liberdade,
Levamos os sonhos dos que ficam a passear;
Quando nos desterram, abandonamos os sonhadores
Em meio a um pesadelo de chumbo.
Não, não sairemos daqui!
Hoje trocamos hélices por âncoras
E mostramos a estes espalha-cinzas
Que somos feitos de terra-viva:
De sonhos e lutas.




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