Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 18 de agosto de 2019

Guerra do Terror


Se eu fosse terrorista?
Bem, se eu fosse terrorista,
Primeiramente, acreditaria em deus
E o meu deus seria o único válido
E o imporia através de guerras de extermínio,
Sabotagens, invasões territoriais,
Saques, estupros, intrigas, aculturação,
Mentiras científicas, genocídios.
Usaria exércitos e mercados para escravizar,
Explorar e condenar à fome e  à miséria Continentes inteiros.
Bombardearia Cuba, Venezuela, Nicarágua, Afeganistão, Vietnam,
Coréia do Norte, Iraque, Líbia, Palestina e alguns países da África.
A Síria não!
As ditaduras obedientes permanecem.
Culparia a Rússia, os comunistas, as feministas,
Os artistas, os pensadores, os ateus
Por qualquer coisa que eu fizesse.
Lançaria bombas nucleares contra populações civis, velhos,
Crianças, creches, hospitais e escolas,
E guardaria outras para ameaçar toda a Humanidade.
Criaria um sistema de justiça para me proteger
E condenar meus oponentes,
Uma representatividade onde seria eu o porta-voz das minhas  vítimas
E um sistema de voto para torná-las  minhas cúmplices, 
E, claro, um credo religioso para sustentar meu credo ideológico, 
Com o qual, 
Sob promessas de paraísos e ameaças de infernos, 
Convenceria a todos a consagrar heróis, 
Vilanizar e demonizar os descontentes,
Crer em milagres econômicos e a  se
escravizar e a morrer,
Esperando um  Salvador inexistente.
Mas, eu não sou terrorista.
Por enquanto,
Apenas tento sobreviver
Aos que me rotulam assim.

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