A minha juventude passou por cima de tudo,
inclusive de mim,
quando resolvi envelhecer.
Brigou com o tempo,
deixou de contar os dias,
condenou a minha letargia
e execrou as revoluções possíveis,
traindo os princípios da minha infância.
Ah pobre coração apaixonado e irresponsável,
quantos sonhos sonhaste
para dar nesta prisão?
Um passado eterno
sem futuro à vista
transforma um presente sem luta
numa corrente em nossos punhos.
E eu, que sonhava contigo,
sinto-me morrer na flor dos anos
e, nem sequer vivi!
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