Pierrot

Pierrot
la tristesse

segunda-feira, 23 de julho de 2018

A Solidão Dos Que Partem


A minha solidão,
Como a do ultramaratonista,
Irriga e oxigena meus centros cerebrais
Com um sangue novo e fervente
Que me impulsiona saltos
Além do corpo e do tempo-espaço,
Quando as minhas pernas
São a minha própria poesia,
Um passo empurrado para a razão,
Um tropeço na superstição...

E as minhas distâncias vão ficando na poeira
Como os amores,
Como as saudades.

Não!  A minha direção é o Nada.
Longe dos que se agarram
À realidade enquanto mentem.
Eu converso com o vento
Enquanto o deixo para trás
Com notícias da minha passagem,
Que ninguém parece decifrar,
E sigo correndo à frente do tempo
E volto, me posiciono atrás dele
E mantenho o ritmo,
A respiração, a pulsação...

E as minhas saudades vão ficando na poeira
Como as distâncias,
Como os amores.

Num torpor virulento de esmagar mundos,
Nada me detém,
Não me alcançam nem barram.
Uns me esqueceram, outros me virão passar...
E nem contam meus passos.
Eles são,  eu estou
E, quando cruzar a última linha,
A minha estória começa...

E os meus amores vão ficando na poeira
Como as saudades,
Como as distâncias.

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