Pierrot

Pierrot
la tristesse

domingo, 22 de julho de 2018

De Éteres e Poeiras


O tempo é muito senhor de si
Para que eu use relógios,
Tentando confiná-lo
A uma bússola tão ínfima
Enquanto ele flui em todas as direções,
Ilimitavelmente,
Sem parada para choro ou remorso,
Sem mesquinhez,
Transformando cada fração em Eternidades,
Eternidades em grãos de areia
Incontiveis em ampulhetas.
Cada pulso seu é um Universo
Com todas as possibilidades de Tempos e Espaços
Num enigma tão plural
Quanto todo "S" imaginável.
Medi-lo seria aprisioná-lo, domá-lo:
Desafiá-lo a ignorar-nos.
Entre na maré, flua como ele,
Não se prenda ao Nada,
Ao quadrado e ao quadriculado,
Não se meça por sua eterna efemeridade
Sem alfa nem ômega,
Não o meça por tua ansiedade
Que ama o que nem começa
E já termina,
Deixando apenas poeira
A escorrer sem-fim.

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