Eu fiz daquela cena sangrenta
A minha poesia.
A solidão que ela me trouxe
Se instalou em mim
De um modo inebriante
E compôs toda a cena.
Então, me veio o tempo,
Revirando as feridas abertas,
Fazendo doer e esquecer
Na vertigem do vazio
Como um ópio sem ilusão
E descompôs toda a cena.
Por motivos de força maior ou loucura
Apoderei-me do Ser Tempo.
As trevas vieram, veio a luz;
Sanidade e insanidade cessaram o combate,
Abriu-se em mim a contemplação do nada
E a explosão da concepção
Do caos e do existir
E recompôs toda a cena,
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