Pierrot

Pierrot
la tristesse

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Causa Perdida



Ah, poeta intrometido, deixa-me!
Que tens tu com a minha escravidão?
Que te importa
As correntes nos meus tornozelos?
As algemas nos meus pulsos?
As favelas ou senzalas onde vivo?
Que tens?
Deixa-me aqui, calmo e cativo!
Que te importa a minha dor?
Fala ao teu coração que nada podes fazer
Porque nada és e nada significas!
É do teu interesse tirar-me o sossego
Ou roubar-me a escravidão hereditária
Que ficará ao meu filho?
E me vens falar em liberdade,
Tu que és louco e bandalho
E vives a poetar
Para as messalinas e pilintras?
Ora, a tua liberdade é só uma embriaguez:
Aqueles que nada sabem, pouco te entendem;
Os que dizem tudo saber (e certamente sabem menos que nada)
Te atiram pedras.
E isto enfim é escravidão:
Tu serves neste mundo a troco de sonhos
Que jamais se realizarão
E receberá por isto
Apenas uma maldita lembrança póstuma!
Ah poeta de alma inquieta,
Senta-te aqui, junta-te a mim
E sede escravo também!
Ou, então, pega o teu livro dos tempos
E foge para outra eternidade
Para tentar salvar outras encarnações.



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