Ponha os pratos na mesa
E tenhamos uma conversa séria.
Honestamente, eu gostaria de comer
Antes de me pronunciar.
Me parece incoerente falar da minha fome,
Olhando para todas estas travessas cheias
E com o meu estômago vazio.
Suas palavras insípidas tentando aplacar
Os meus espasmos fisiológicos,
A tanto tempo esperando...
Nesta mesa está a cura dos meus males.
Eu receito a vocês um prato raso da sua ingerência,
Talvez isto cure a sua indigestão.
Agora vamos sanar as dores imediatas:
Se olharem pela janela do presente,
Verão os abstêmios de pão
Rasgando livros para as fogueiras;
Vislumbrando o futuro ( como se faz neste país )
Avistarão seus corpos tísicos
Sendo atirados em valas coletivas,
Fazendo pairar sobre suas consciências
As suas almas famintas,
Trincando dentes,
Salivando ao ronco estomacal,
A lançar olhares sedentos
Sobre as suas carnes e as suas roupas...
Retire os pratos da mesa e paremos,
Satisfeitos,
Com esta conversa fria.
Uma compota de hipocrisia e silêncio
Para a nossa desnutrição moral,
E discurse o Ministro,
Para fechar a convenção!


"O fim da miséria é só o começo..."
ResponderExcluirDe outra miséria ainda maior!