Acabou-se o desejo
Já não lembro o seu rosto
Do mel do seu beijo
Foge-me ao paladar o gosto.
A dor foi esquecida
Naquela paixão sem sorte
Após ter dado a vida
Recebido alheia morte.
Agora o corpo treme, está frio
No quarto, quatro paredes ignotas
Contemplando inerte, horas a fio
O vinho, aquecedor dos corações dos idiotas.
É tempo de brindar à solidão
Queixume de hábito do pobre amante
Que brada violências ao coração
Condenando-o pelo sentimento tão errante.
E finalmente, o doudo poeta morre
Desde que desistiu da poesia
O poeta mudo, a quem nenhuma palavra socorre
Delírio da auto-morte, uma hora de agonia.
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