Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Paixão-errante


Acabou-se o desejo
Já não lembro o seu rosto
Do mel do seu beijo
Foge-me ao paladar o gosto.

A dor foi esquecida
Naquela paixão sem sorte
Após ter dado a vida
Recebido alheia morte.

Agora o corpo treme, está frio
No quarto, quatro paredes ignotas
Contemplando inerte, horas a fio
O vinho, aquecedor dos corações dos idiotas.

É tempo de brindar à solidão
Queixume de hábito do pobre amante
Que brada violências ao coração
Condenando-o pelo sentimento tão errante.

E finalmente, o doudo poeta morre
Desde que desistiu da poesia
O poeta mudo, a quem nenhuma palavra socorre
Delírio da auto-morte, uma hora de agonia.

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