Sinto-me como uma cobra
Trocando de pele.
E não é só isto:
Há uma revolução em curso;
Dentro de mim algumas lembranças
Me vêm claras, nítidas
Como uma saudade reciclável,
Sem que eu vislumbre a transformação.
Ocorrerá uma mudança.
Eu serpenteio em círculo
E calculo o bote
Com o fim de canalizar esta energia
Em proveito próprio.
Não tenho veneno,
Observo tudo sem paixão.
Logo findou o tempo da espera;
Logo é o tempo
Em que este velho ofídio
Ganhará asas e peçonha.
Ouça os meus guizos
E fuja!
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