sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Pena Atômica
Pena atômica!
Atômica pena!
Verbo conjugado,
Ó conjugador dos verbos!
Atomicista da poesia!
Mente criadora dos verbos!
Que faz com a pena
Esta mão trêmula,
Esta alma fugidia?
Dá-me a aula:
Conjugar pela pena
O olhar vazio e distante.
É ele que vê o tudo
Enquanto tu olhas o caos.
Kaos - a criação do cosmos:
Meteste a tua mão atrevida
Na caixa dos milagres
E roubaste a fartura das palavras.
Por isso, estas expressões
Imprevistas e inconcebíveis.
Duas estrelas não são tuas
E é justamente delas
Que tu falas.
Ah homem vulgar e achamboado,
Tu miras o céu e vês abismos;
Pisas o chão e vês espaços,
E nós, que te perseguimos,
Nos sentimos microscópicos!
Será este o teu gládio?
Este poder de palavra?
Atômica pena!
Pena atômica!
Mil kilotons da palavra
Dita e pensada:
Ultra - Super - Supra - Mega!
E escreve impiedosa
A pena agonizante do universo,
Que era humano
E foi divinizado.
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