Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O Monstro e o Ego



Não sei quem sou!
Eu não sou o Pantanal
- Este maldito poeta-morto -
Que apoderou-se da minha alma,
Da minha mente e, consequentemente,
Do meu corpo.
Às vezes, culpo-o pela minha omissão,
Enquanto ele condena-me por seus crimes poéticos.

Ele é o que sangrou
Em meio às enormes árvores metálicas
Com galhos de plástico, flores e folhas de papel
E com seus frutos enlatados;

Ele é o que sangrou
Em frente às casas onde se ajuntam
Os tesouros da humanidade,
Onde as pessoas respiram ouro
E transpiram pedras preciosas e cédulas verdes,
E percebeu o quanto seus sonhos são descartáveis!

Ele é aquele que ganhou um milhão
Para gastar em um semana,
Comprou um punhado de falsos amigos
E, sentindo tédio, ao terceiro dia,
Chutou tudo para o ar.

Outro dia foi visto, bêbado,
Deitado no chão de uma calçada,
Pensando poesias...
( Na mesma calçada por onde circulam os homens
Que sonham, um dia, concentrar em suas mãos,
Todas as riquezas do mundo )...

Ao levantar-se, não sabia mais quem era
E apossou-se do meu ser.



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