Não é o caso de ter um livro.
É imprescindível que neste país
existam pelo menos duas pessoas
que saibam ler,
para que se possibilite falar
na vertigem das crianças
que têm fome
e não sabem o que comer,
ou das que sentem-se órfãs
e não sabem
a quem chamar de pai.
Eu também tenho necessidades
de nutrientes e calor
e, muita vez, me senti tentado
a fazer fogueira
com os meus livros.
Daí, comi algumas páginas
com os olhos
e isto me aqueceu por dentro.
Mas não será sempre assim!
Quando surgirem os leitores,
o poeta e o livro
podem ter virado pó.
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