Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Devoção


Quando os meus olhos vieram te ver
Houve uma festa em toda parte:
Anjos tocaram violinos, flautas, harpas...
E um gênio da escuridão
Ensaiou passos estranhíssimos
Que arrancaram risos
Dos guardiões da sanidade...

Quando os meus olhos vieram te ver
Apenas eu, misteriosa criatura,
Estava ausente, fora de mim,
Longe do meu próprio coração.
Então me convidaste à vida
E me encontrei no teu ser.

Quando os meus olhos vieram te ver
Nada havia.
De repente, havia o tudo.

Quando os meus olhos vieram te ver
Tudo que desdenhava a minha solidão
Ficou contrafeito, quando te vi.

Quando os meus olhos vieram te ver
Os caminhos erraram-se todos;
Eu atropelei a razão
E cheguei ao lugar que é meu.

Quando os meus olhos vieram te ver
Todos abraçaram-se, fizeram figa,
Ensaiaram cantigas... e ainda anseiam comigo
Que os teus olhos venham me ver.

Onde estão os teus olhos?
Quando os teus olhos vêm me ver?
Os meus olhos vieram te ver!

Quando os meus olhos vieram te ver
Eu vim junto
Porque sou eu que tenho pernas.

Quando os meus olhos vieram te ver
Eu vim com eles
Para que eles te vissem (te vejam).

Quando os meus olhos vieram te ver
Nasceram fogo, desejo, amor e paixão
Em doses diárias intermináveis.

Você é o anjo, a sanidade,
A vida, o lugar que é meu:

Por isso os meus olhos vieram te ver.
Por isso os meus olhos
Me guiaram até você.



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