Enquanto Zezinho,
que jamais seria dono de uma porquinha preta,
estava tentando engatinhar,
os cachorrinhos brincavam de dar mordidinhas.
Então, Zezinho ficou de pé;
correu, criou alguns sonhos,
fez planos engenhosíssimos
enquanto os cachorrinhos brincavam de dar mordidinhas.
Zezinho cresceu, foi à escola, leu livros...
perdeu-se dos sonhos... perdeu-se também...
amou, bebeu, chorou...
morreu algumas vezes;
escreveu livros e amou-os,
e rasgou-os, e queimou-os;
tornou-se poeta, profeta, filósofo, ator e palhaço,
e quando a vida parecia perder o sentido,
Zezinho observava
os cachorrinhos brincando de dar mordidinhas.
O mundo ia girando, tudo transformava-se
de um modo ou de outro.
Alguns cachorrinhos cresceram
e tornaram-se feras grotescas,
assassinos vorazes
dos cachorrinhos que brincam de dar mordidinhas.
Zezinho, eterna criança,
e que jamais tivera uma porquinha preta,

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