Sim. Eu era rei.
De um país perdido da realidade,
Ocupante de um trono preterido,
Portador de uma coroa pesadíssima
E de um cetro sem poder,
Na corte onde o bobo
Era eu mesmo.
Meu exército de trôpegos, alucinados
Apontavam as armas contra eles próprios,
E caíam-lhes das mãos vacilantes,
Deixando nossas fronteiras desguarnecidas
Enquanto dançávamos em volta de fogueiras,
Gaguejando cantigas de um sonho falaz:
Súditos infiéis e conspiradores, arrogantes e irreais.
Nos intervalos das festividades,
Dava meu reino por um copo de água fresca
Sem que ninguém se interessasse...
Um dia, num lampejo de lucidez,
Deprimido e nauseado,
Decretei-me abstêmio

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