Eu fui dormir na praça.
Sentia-me dono de mim demais
Para pedir abrigo
E fui dormir na praça.
Ouvindo um rock da Legião,
Um copo, uma caneta na mão,
Velando pelas raças.
Eu fui dormir com as traças.
Amanhecendo com a lua.
À noite, ao fim da noite
Todos sentem-se donos da rua.
Por que ninguém mais
Veio dizer-se dono?...
Roubar-me todo sono?
Não deixar-me dormir tão insano?
Maldito o deus
Que deixou-me adormecer,
Perder
O que nunca foi meu.
Mas esta praça é minha,
Os sonhos são todos meus
E tu,
És apenas deus!
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