Ampla vista de outros horizontes
Nas sombras dentro de mim,
Um minuto a mais de escuridão,
Turvo o coração,
A sonhar venturas distantes,
Ilusão e pó.
A estrada desenhada com um dedo
Na areia de uma ampulheta
Cósmica e palpável.
E eu sem mim,
Sem tempo, sem ilusão, sem rumo.
E eu em mim,
O coração, um sonho:
Outros horizontes.
Disse as palavras que fui dizer
E parti.
Ouvi me chamarem: houve resposta.
Já não quis saber.
Toda uma eternidade de guerras
Quando falavam de paz...
E o sangue na garganta
Comoveu minhas mãos,
Moveu-me ao assassínio.
O arrependimento não conserta
O que o sangue-frio calcula em silêncio.
O remorso chega um pouco depois,
Já morta a vítima, justiçado o algoz,
E o morto de pé,
Com a adaga em punho.
Os velhos tempos esperam nos jardins
Mas nunca entram, nunca mais.
Eu até consigo redesenhar teu sorriso
Enquanto te sinto me olhando,
Com as mãos pálidas e frias,
E te abraço a sombra vaga,
Lembrança da paixão febril
Do amor primeiro,
Um hálito quente, tão perto,
E amamos como amávamos
Na meninice das nossas fantasias...
Mas o tempo,
Senhor das saudades,
Recupera seu tecido,
Refaz sua mocidade,
Deixando o que é velho,
O que é passado
Só com as memórias,
E temos, novamente,

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