O primeiro soldado pegou o fuzil,
Que guardava junto
Com a carta do Ministro
E ensaiava a morte
Entre os colegas de pelotão.
Ele contava para a sua namorada
Que haviam lhe transformado num guerreiro
E que havia um inimigo...
O jovem soldado rifou o fuzil,
Que guardava no armário
junto com as lembranças da infância.
Ele não lutaria perdido naquela farda
E sem saber ao certo
Quem era o inimigo.
O último soldado largou o fuzil,
Com o qual matara o próprio Irmão.
Ele já não tinha namorada para contar
Que não sabia mais
Como voltar para casa.
O ex-soldado usou o fuzil,
Que era a morte em suas mãos.
Ele já não era um soldado;
Nunca foi um herói;
Talvez, nem mesmo um assassino:
Ele se reconheceu no inimigo
E reconheceu um inimigo em si.
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Este
poema denuncia o alto número de suicídios de soldados do efetivo variado
durante o serviço de guarda, segundo as forças armadas, sem motivo aparente.

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O INTERESSANTE NO PROCESSO DE MILITARIZAÇÃO DE UMA SOCIEDADE É QUE PEGA-SE O MENINO DA PRIMEIRA IMAGEM E TRANSFORMA-O NO SER INOMINÁVEL DA SEGUNDA. NUMA SOCIEDADE TEOCRÁTICA O PROCESSO É O MESMO.
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