Eu sou um jovem ator
Que representa,
Na vida real,
Um papel de Arlequim.
Ao tempo que,
Na arte de Pierrot,
Enceno a vida monótona
De um poeta de versos mórbidos.
Ao chorar vejo um público feliz:
O fingimento me venceu!
E ao morrer,
Ir de excursão ao céu,
Comprar bilhetes vip`s
Para desfrutar na terra
Guarida em honrosos sepulcros.
Assim somos uma trupe:
Rostos pintados de alegria
Para disfarçar o rancor e o remorso
De uma vida inteira
De vaias e tortas na cara,
Em espetáculo que não acabará em risos.
Triste palhaço!
Miserável fim!
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