Pierrot

Pierrot
la tristesse

sexta-feira, 18 de junho de 2010

poesia: o pão e a fome



A fome que me acometia
Já não remetia à poesia.
Não há como reinventar a fome:
Nem substantivos, nem pronomes.

- Do que vives tão orgulhoso? -
Diz o poema. - coisa feia:
O poeta de barriga cheia
É um homem comum e preguiçoso! -

E veio outra vez a fome
(ânsia louca de gritar teu nome),
trouxe vazio ao estômago o amor,
Dentro de mim, cheio de nada e pavor.

- Do que te fazes tão esperançoso? -
Diz o poema. - caíste numa teia:
O poeta de barriga cheia
É um homem comum e preguiçoso! -

Todo o mal do mundo - sociedades -
Todos o caos, por toda posteridade.
Paguei por um lugar na praça.
Todas as praças - dei de graça.

- Do que reclamas tão estrepitoso? -
Diz o poema. - vidas alheias:
o poeta de barriga cheia
É um homem comum e preguiçoso! -

Por consequência fiz a guerra,
Comi a mim, comi a terra.
Foi-se a razão, veio o ardil,
À tua palavra respondo com fuzil.

- Do que te sentes tão rancoroso? -
Diz o poema. - sangue sem veia:
O poeta de barriga cheia
É um homem comum e preguiçoso! -

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Se houver algo melhor do que comida,
Traga para a sobremesa.

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