Pierrot

Pierrot
la tristesse

terça-feira, 1 de junho de 2010

Para Ressuscitar Augusto dos Anjos


Era a assombradora sensação de um aborto
O martírio daquele desgraçado artista,
Isolado de tudo, no seu mundo de autista,
Sem conseguir formar poemas, ainda que absorto.

Não estava isento da maldição antropomorfista,
Na produção de seu poema torto,
Atestando que ainda não estava morto,
Subvivendo como o último altruísta.

Ainda havia carne presa entre seus dentes,
Numa antropofagia danada de corpos sãos e doentes,
Não vomitando as suas palavras sangrentas...

E, como tardava-lhe o pensamento
Remexia-se, num último esboço violento,
Como lutasse para sair de uma placenta.



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