sábado, 26 de outubro de 2013
O VIGIA
Acabou a fúria, Poeta?
Eu te avisei que aquele amor era algo absurdo,
Descomunal dentro da tua alma sensível.
Rasgou os poemas, triturou os ramalhetes,
Queimou as fotos,
Adormeceu após o pranto e o porre;
Tudo calmo agora.
Esfriou o sangue, Bardo?
Eu o adverti para não largar o fuzil.
Os outros só queriam uma dose de ópio,
Dormir em paz e acordar na prisão sem muros,
Sem guardas, sem com quem lutar.
Ir sempre de uma prisão a outra
Sem jamais experimentar um único corredor de liberdade:
Um mundo letárgico e em silêncio.
E tu, vociferando e atirando em todas as direções.
Fez as tuas orações, Louco?
Crer no amor, crer nas pessoas: acabar sozinho,
O sangue jorrando das feridas que não saram nunca,
A solidão e a maldição como recompensa,
O teu olhar de menino-lobo assustado,
A carne entre os dentes, o sangue na boca:
A perda da humanidade!
Espere o momento exato, Vingador!
Eles ainda estarão lá.
Toma da verve que ferve o teu sangue.
Um poema:
'Teu amor pela fúria,
Tua fúria pelo amor.'
Eu calarei a minha boca.
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